sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Fixação

 
Estou perto de terminar esse Tolstói. Confesso ser meu primeiro contato. Começo a ter um vislumbre do porquê desse autor ser tão aclamado. Alcanço nesse momento sua juventude. Paro. Tiro uma boa foto do livro e alimento Lua e Rimbaud. Ah, adotei outro gato e botei o nome daquele poeta francês. Precisa ver como é amoroso e confiante, quase sempre se deita e expõe sua barriga ao carinho. Ronrona motor a diesel. 

Sobre o livro já fiz dois terços da resenha. Quando for postar no insta tenho a ideia de intercalar 3 artes mostrando a passagem do tempo para Nikolai, que é o personagem principal. Penso no prompt para o Copilot... Voltei a jogar Legends of Runeterra pra matar o tempo e treinar raciocínio, ao menos é o que repito para mim mesmo, mas sei que se trata de um vício. Fui matar saudades de uns blogs que eu gosto, amizades distantes...

Andei pondo no repeat a Fixação do Kid Abelha. Tem aquele clima dançante oitentista que tanto me agrada, como a The Beach do  New Order ou qualquer coisa do Gang of Four. Tenho escrito menos e lido mais, ano que vem faço 39, dia 10 foi aniversário da Clarice Lispector, fiz esse post (link) de comemoração. Colori umas fotos dela, ficaram bacanas. Tenho usado a palavra bacana demais ultimamente. 
 
Rimbaud

domingo, 7 de dezembro de 2025

O verão, odioso verão

Qual é a desse povo que gosta do calor? Ridículos! São loucos ou o quê? Domingou quente no Condado. Já viu a nova box do Senhor dos Anéis ilustrada por Alan Lee? Coisa linda, linda demais. Estou dividido entre ela e os Contos Completos de Tolstói, aquele da Companhia das Letras. Meu amigo(a), você que volta sempre aqui, saiba que ser pobre é um puta saco. Nem o Diabo sabe como me irrita esse meu estado paupérrimo, ando contando moedas, assim, para não fugir do estigma de poeta fodido. 

Tenho sorte, uma casa, um lar. Mais do que alguns bastiões da literatura que tanto idolatro. Serei grato pela sorte? Sorte qual nada!! Me lasquei firme por anos para chegar até aqui. Acho que gripei... Sinto dores pelo corpo e pela nuca uma pontada estranha do lado esquerdo. A Princesa me diz que pode ser pressão alta. Não sei. Ganhei uns quilos esse ano, isso conta? Ai, saudade de ler Clarice... Talvez devesse continuar a coleção dela, a da editora Rocco. Preciso escolher bem, oh, santa ansiedade! 

Estou empacado no leste europeu, sinto tenta similaridade com a Rússia, em especial com a sua religiosidade. Lembro da minha infância. Já li a Infância de Tolstói, agora passeio pela sua Adolescência. Outro dia disse à Princesa que Tolstói tem um tom meio Machado de Assis, ela me respondeu: "o contrário, né?" eu disse: "é, é sim..." Não me estendi por preguiça. É esse calor dos infernos! Dá vontade de fazer nada ao quadrado. Bem, melhor voltar a ler. Despeço-me com carinho, até a próxima e beijo. 

sábado, 29 de novembro de 2025

A última ida à clínica do ano

 

Estou aqui. Devo informar que aumentei por conta própria uma das medicações? Essa semana tá um doce. A Black Friday da Amazon foi muito bacana. Chegaram: A Senhoria, A Morte de Ivan Ilich, Noites Brancas, Infância, Adolescência e Juventude. A Princesa C. catou um Método Para Teclado e O Diário de Anne Frank. Faltam 10 min para minha vez. Como sempre a viagem até aqui me quebra. Certeza que vou entrar em standby

Ao meu lado duas camaradas minhas defendem suas teses sobre a Bíblia e a volta de Jesus, que é o médico dos médicos. Eu, fosse Jesus, não voltaria, nem pra receitar clonazepam. Uma delas é muito eloquente, a outra somente concorda no fim dos parágrafos: "sim", "é isso", "amém". Desde criança tento correlacionar a religião evangélica com os distúrbios psiquiátricos. Papai fora internado 4 vezes e era crentíssimo. 

Será que levei uma bronca? Aparentemente não posso aumentar a dose de nada por conta própria, credita? Fiquei meio paranoico com o site do Museu de Arte Multimídia da Rússia (link). Tomei a liberdade de baixar umas fotos em preto e branco do Tolstói, colori uma por uma em ordem cronológica. Veja: (link). Estou com uma série de 11 sonetos chamados Handroanthus, talvez termine antes de Jesus Cristo voltar. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Amarelo




Abre-se o chão em dentes enferrujados. Mordidas eternas – meu corpo dilacerado tomba. Rezo. Minha servidão me concede um pertencer. Fluxo negativo. Meus órgãos expostos – arte vermelha! Eu, que nunca fui pouco tolo, dou com a cara no espelho e violentamente quebro minha imagem...

Lô morreu, Jards também, êta mês bom de acabar! E né que terminei Gógol e fui direto para Mary Shelley? Já viu o Frankenstein da Netflix? Del Toro se superou nessa. Muito maneirim. Acho que eu só precisava de um pretexto para ler outro clássico, né? O livro começa epistolar, achei charmoso...

Pretendo dar seguimento a essa coleção da Zahar, achei lindo demais a diagramação, a fonte, o papel, tudo um conforto só. Legal também a capa amarela que alude à cor da criatura que, pasme, não é verde. No mais, tô relendo Da Costa e Silva, aquele simbolista do Piauí. Só o diabo entende dessa nostalgia.


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Teatro completo




Começa outra semana, já, já é Natal. Época boa. Por aqui volta a nostalgia, o cheiro de livro novo: o presente mais que perfeito. Gostaria de compartilhar minha wishlist da Amazon com meus familiares. Mas lembro que há mais de 20 anos não passo o Natal com meus familiares. Arre, bichin do mato! Este caipira gosta de ficar na sua choupana! Fuma seu pito do pango, fuma! A vida fica mais leve ou só estou alto mesmo?

Meu Amor divide a wishlist da vida comigo. Estou à espera do meu primeiro Tolstói. Decidi ler em ordem cronológica também. Acho que fui influenciado pela Tatiana Feltrin, aquela booktuber famosa. Sobre ela tive o desprazer de saber da sua posição política ligada à direita, e até um flerte com a extrema direita, confirmado pela sua resenha de um livro do Olavo de Carvalho, esse que faz uns anos que não abre a porra da boca, amém.

Pessoas não são fórmulas matemáticas, obviamente. Tatiana não tem culpa de ser de direita, essa posição condiz com sua posição social, tão ligada aos prazeres da vida burguesa, Tatiana tem seus motivos, tivesse crescido em favela talvez teria outros. Fora acolhida pela direita, foi o que ela disse... Agora aguardo a consulta da minha irmã. Os ipês de Botafogo estão todos verdes, ainda bonitos, ainda bonitos...
 
Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei, não sou perfeito
Eu não esqueço

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Doppelgänger blues



 
Nunca quis ser outro. Estava satisfeito e completamente ciente de que estava vivo. É provável que existisse qualquer reclamação pelo trânsito, o rumo da esquerda. Totalmente aceitável que também se desagradava de um ou outro livro. Mas ser outro? Não definitivamente.

Nunca foi o mesmo. Está em constante estado de aluno e por raros instantes é possuído de luz e transborda, veja que o faz conscientemente. Vez em quando tromba em si. Olha-se ao avesso envaidecido. Oferece um trago. Já não se sabe qual é qual. Escrevem o mesmo livro e assinam o mesmo nome.

Nesse papo a dois nos pegamos pensando. Que será que se passa na cabeça de uma Musa? Você nos entende? Você mesmo que nos lê! Deve ser uma barra ser descrita por um poeta, não esses aí que não sofrem, mas um autêntico dramático, doente, apaixonado, neurótico e bom cozinheiro. 
 
 

sábado, 25 de outubro de 2025

Elis 1972 remixremaster

 


 

Sabe, eu sou da opinião de que o pós-punk é um amálgama de estilos que conversam entre si. A característica dele que mais curto é o estilo do baixo — o baixo elétrico que, quase sempre, aparece com um riff simples e hipnótico. Tem algo de tribal nessa tag. Não sei especificar com exatidão o que seria. A identidade está na cozinha: percussão e contrabaixo. 

O teclado é outro exemplo de protagonismo instrumental. Ele preenche o ambiente com textura, cor e temperatura. Aí deu um estalo! Eu devia ter saído para caminhar. Pra que serve saber que porra é pós-punk no Brasil? Eu deveria estar falando do que estou sentindo? Sabe quando você encontra alguém que te faz querer ser mais de você? 

Amar é tão fácil. Não existe o manual do amor. Ele é fácil. A gente simplesmente sabe com quem contar. Gostaria que você pudesse experimentar isso — se já não o conhece bem. Olha pelo lado positivo: consegui desenvolver o assunto nestes três malditos parágrafos que este servo agora tem de fazer, pois assim fica “mais bonito”. Só o diabo sabe o que eu acho ou não acho bonito

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Sobre eventos e bookmarks

 


Ontem fui a um evento no ExpoRio. Obviamente para acompanhar minha Princesa C. Levei um livro e fones. Foi interessante e previsível, muito embora sejam quase antônimos esses adjetivos. Hoje tô um caco: sem fome, sem luz, sem viço, sem alma. Não ouço, não leio, não falo, vagueio. E tudo bem, né? É claro que do alto desses 38 anos já conheço minhas estações. O outono é passageiro, tudo se renova no tempo certo. Então dou um jeito de distrair meus demônios, faço versos... 
Aprendi muito bem como me portar e ser recíproco. Sei o que esperar dos resíduos dessas interações. Bem, estava quase chapado, o que me fez viajar pela Rússia de 1845. Cansei da França, cansei. Tive também um tempo para repensar amizades digitais. Sinto falta de uma em específico: I. C. Venta forte lá fora e as árvores do condado acenam. Tenho vontade de falar com I. C. Entender onde errei, ser claro, sem reticências. Mas o silêncio comunica bem. Também é resposta para tantas questões...
Me indignei por esses tempos. Em toda vasta Shopee não existe mais que uma pessoa comercializando marca páginas de Dostoiévski. Oh, pai, por que me abandonaste? Então abri o Canva e fiz eu mesmo uns 5. Acabei pegando gosto e fiz mais 5 para a Princesa C. dos seus prediletos: Pedro Bandeira, Aghata Christie, Betty Boop, Nelson Rodrigues e Donzela do Inferno. Para sua irmã L., uns 4 da Tomi Adeyemi. Espero que essa morbidez de agora não fique por muito tempo. Vem, Primavera. Meus olhos estão eclipsados.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Instagram?




A arte está onde o povo está. Com essa máxima dou início à nova onda de textos desse espaço, esse desdiário passional. Quando voltei ao Insta percebi que há "blogs" lá, uma comunidade literária enorme, povinho que gosta de ler clássicos, assim como este servo. E por incrível que pareça, pois parece, houve certa aceitação da minha arte, o que me deixa eufórico, tendo em vista o prazer quase sexual que tenho em ser lido.
Vamos hiperfocar em quê? Este servo indaga! Por que não a Rússia? Sim, a Rússia. Enveredei pela coleção leste da Editora34, e meu leitor(a), que deleite! Dostô, Gógol e Tolstoi dançando a macarena no meu sótão. Convenci minha Princesa C. a ler também, e lá foi ela toda delícia com Gente Pobre na mão. Não gostuei, asmei! E o neopostpunk russo? Molchat Doma, maconha e O Capote de Gógol; outro trio dançante, haja sótão.
Não abandonei aqui, mas ando deveras dividido. A rigidez me fez focar tanto nesta plataforma que não pude ver o que perdia pelo lado de lá. Ouvi, outro dia, uma singela anedota da minha crush, prof. Lúcia Helena Galvão: "Um homem passa pela janela da sua casa e flagra sua esposa cavalgando no vizinho no sofá. Ele brada: – resolverei esse problema! venderei o sofá! As redes não são o problema! Estamos culpando o sofá." Ah, Lúcia Helena, que luz!

Ты же не видишь меня, ты же не знаешь кто 
яTy zhe ne vidish' menya, ty zhe ne znayesh' kto ya