sexta-feira, 15 de maio de 2026

De volta outra vez

Pois é. Agora oficialmente existe um documento que me coloca dentro do F84. Não que não fosse evidente, que ninguém percebesse minhas inaptidões. A notícia me caiu sem que eu notasse, de repente a rosa de hiroshima aberta, um papel dentro de um envelope, e toda minha história passa ter um sentido, de fato foi uma semana e tanto. 

A fase de Tolkien deu uma esfriada, a cisma da vez é com autores franceses. Tô lendo Dumas e Verlaine. Verlaine era uma puta sem vergonha. Dumas era um cara esperto, tinha colaboradores, homem de visão, era publicado em jornais da época. Tô adorando a escrita dele, cheia de conspirações, profundidade nas motivações dos personagens...

Reli Baudelaire. É foda. Perto da estação de trem da Pavuna tinha esse cara que vendia livros na passarela. Eu tinha uns 16. Um dia passei e vi o Flores do Mal lá, a 6° edição, capa vermelha. Achei o título bacaninha. Comprei. Eu, o filho dos eleitos e escolhidos de Deus. Qual não foi a surpresa, depois de ter lido e relido, acabou encontrando fim nas mãos da minha mãe, representante do tribunal do Espírito Santo.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Daqui

Dei com a língua nos dentes. Veja bem. Pretendi não contar nada demais, mas contei foi tudo. Minha doutora me ouviu atentamente, me aconselhou psicóloga também. Eu disse: "mas eu não tenho grana!" numa exclamação fora do comum, de fato. Mas totalmente factual. Tive a impressão de que ela estava realmente me ouvindo, disse: "essa coisa de não ser daqui me preocupa." Em março devo ligar para a marcação.

E Tolkien, hein? O velho é joia! Deixo aqui bem explícita a minha total admiração pela sua obra, com minha pequenez de poeta pós moderno apocalíptico. Será que usam hífen em pós moderno assim? —> pós-moderno. Não tô afim de pesquisar. Vou fazer um poema:

No Rio o Sol é potestade
Que a tua alma invade
E faz arder a luz

No Rio o Sol é divindade
Que se cansou da bondade 
Que ri da nossa cruz
 

Mas há o ar-condicionado novo. Esse paladino dos reféns mais torturados nas masmorras tirânicas do sol. Sinto como se tivesse nascido de novo. Tem Wi-Fi e tudo o bicho. Essa semana Rimbaud sumiu por um dia inteiro. Temos mesmo que castrar ele. Tenho medo que ele sofra alguma violência devido à sua cor de pele. Gente preconceituosa, gente doente. Será mesmo que não é possível que eu seja daqui?

You are the juice I need for life
You are the sweetness in my eyes 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Frente fria em janeiro

Ponho empenho na compra de material para a obra da minha irmã. Amanhã vamos à colheita de sangue para exame periódico. Tô afundado em Tolkien. Vejo vídeos, documentários, canções, reportagens e leio artigos. Só li o Hobbit por enquanto. Fizemos planos de climatizar o quarto, tudo girando para esse fim. Por isso os livros vão esperar. Deus, até sonho com a box nova de O Senhor dos Anéis. Ainda tenho Tolstói e Dostoiévski na fila.

Quanta estupidez um homem pode ter? Aqui dou uma pausa para trabalhar; logo, logo continuo. — (voltei) Os ataques à Venezuela me parecem a tomada da Polônia pelos nazis. Mas quem sou eu na fila de Auschwitz? A noite chegou mansa, de repente tudo escuro. Dei uma cochilada de tardinha. Sonhei com dragões escarlates protegendo montanhas de barras de chocolate. Juro! Tô careta, careta. O ar cond que caço entrou na promoção!

A vida adulta é algo entre calcular custo-benefício e fazer o que não se quer. Dizem certos filósofos que fazer algo a contragosto é prova da verdadeira liberdade. Vai saber? Liberdade de quê ou de quem? Enfim, são questões para o futuro nesse bendito diário público. No mais, instalei uma torneira com purificador de água para minha irmã. Ela ficou contente e tudo, mas ainda falta fazer o acabamento da pia. Oh, canseira! 

Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
That's how it goes
Everybody knows 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Alone in the dark

 


Eis o novo ano. Há certo tempo tenho provado um pouco de solidão. Não que bem antes eu não a conhecesse. De certa maneira a solidão me fez companhia durante a infância e adolescência, e eu estava bem com ela, cercado de amigos mortos e seus legados, seus livros. Acontece que tenho mergulhado nesse oceano com mais frequência. E não como antes, me incomoda o fato de estar só, só no sentido pleno, mesmo acompanhado. 

Não creio em alma gêmea. Você pode vociferar: "Que porra de poeta é esse que não crê em alma gêmea?". Não te culpo. Esta porra de poeta não deseja que a realidade invada o reino da fantasia, nem o contrário. É que não somos mais os mesmos. Nossas prioridades nos direcionam. Nossas paixões nos segregam. E tenho me apaixonado tanto como tenho pensado em morrer. 

Não, a paixão não contradiz o desejo do fim. Muitas vezes ela é a raiz desse desejo. É claro que estou pra baixo agora, situação comum em época de transição. Tenho tomado minha medicação. Quebrei o juramento de não mais beber álcool para confraternizar com meu sogro. Foram 3 anos sem beber. Mas tanto faz, quem foi embora não vai voltar e quem ficou que se acostume. Mas que bom que tenho meus amigos mortos. Que bom, né? 
 
Vou seguir os conselhos de amigos
E garanto que não beberei nunca mais
E com o tempo esta imensa saudade
Que sinto se esvai