terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Frente fria em janeiro

Ponho empenho na compra de material para a obra da minha irmã. Amanhã vamos à colheita de sangue para exame periódico. Tô afundado em Tolkien. Vejo vídeos, documentários, canções, reportagens e leio artigos. Só li o Hobbit por enquanto. Fizemos planos de climatizar o quarto, tudo girando para esse fim. Por isso os livros vão esperar. Deus, até sonho com a box nova de O Senhor dos Anéis. Ainda tenho Tolstói e Dostoiévski na fila.

Quanta estupidez um homem pode ter? Aqui dou uma pausa para trabalhar; logo, logo continuo. — (voltei) Os ataques à Venezuela me parecem a tomada da Polônia pelos nazis. Mas quem sou eu na fila de Auschwitz? A noite chegou mansa, de repente tudo escuro. Dei uma cochilada de tardinha. Sonhei com dragões escarlates protegendo montanhas de barras de chocolate. Juro! Tô careta, careta. O ar cond que caço entrou na promoção!

A vida adulta é algo entre calcular custo-benefício e fazer o que não se quer. Dizem certos filósofos que fazer algo a contragosto é prova da verdadeira liberdade. Vai saber? Liberdade de quê ou de quem? Enfim, são questões para o futuro nesse bendito diário público. No mais, instalei uma torneira com purificador de água para minha irmã. Ela ficou contente e tudo, mas ainda falta fazer o acabamento da pia. Oh, canseira! 

Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
That's how it goes
Everybody knows 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Alone in the dark

 


Eis o novo ano. Há certo tempo tenho provado um pouco de solidão. Não que bem antes eu não a conhecesse. De certa maneira a solidão me fez companhia durante a infância e adolescência, e eu estava bem com ela, cercado de amigos mortos e seus legados, seus livros. Acontece que tenho mergulhado nesse oceano com mais frequência. E não como antes, me incomoda o fato de estar só, só no sentido pleno, mesmo acompanhado. 

Não creio em alma gêmea. Você pode vociferar: "Que porra de poeta é esse que não crê em alma gêmea?". Não te culpo. Esta porra de poeta não deseja que a realidade invada o reino da fantasia, nem o contrário. É que não somos mais os mesmos. Nossas prioridades nos direcionam. Nossas paixões nos segregam. E tenho me apaixonado tanto como tenho pensado em morrer. 

Não, a paixão não contradiz o desejo do fim. Muitas vezes ela é a raiz desse desejo. É claro que estou pra baixo agora, situação comum em época de transição. Tenho tomado minha medicação. Quebrei o juramento de não mais beber álcool para confraternizar com meu sogro. Foram 3 anos sem beber. Mas tanto faz, quem foi embora não vai voltar e quem ficou que se acostume. Mas que bom que tenho meus amigos mortos. Que bom, né? 
 
Vou seguir os conselhos de amigos
E garanto que não beberei nunca mais
E com o tempo esta imensa saudade
Que sinto se esvai

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Do acaso




O disco novo do Djavan não é lá essas coisas. Ponho a playlist da autopiedade, digo, a que tem bastante slowcore. Será que já passei da idade onde é tão presente a melancolia? Talvez esteja chegando à idade onde é mais presente a melancolia. Vai saber?... Aí no futuro, tudo está bem, amizade? A esquerda por aqui anda usando vídeos de IAs para ridicularizar e atacar a direita. Haverá futuro? 

Desembainho a espada das injúrias. Traço curvas pelo ar, desenho golpes e confesso esperanças. Tomo ar... Abro teu link. Rolo a página procurando datas. Tudo parece novo e cintilante. Questiono a intenção do silêncio. Hoje é o dia, corro os olhos pelas suas sentenças faiscantes – uma estrela madura implode pela força gravitacional da sua voz... 

Musicaram um poema que pertence ao Tempo. Era um soneto chamado "Esperança". Percebe a comicidade da cena? (Depois de 4 dias volto a esse texto). Veio, para a profunda alegria, uma frente fria. Paira sobre o Condado um amálgama de nuvens de chumbo. Acordo disposto e sorrio ao menor gracejo do acaso. 
 
'Cause your arms
Your arms they don't feel so warm
So come
Come love and take me home

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Fixação

 
Estou perto de terminar esse Tolstói. Confesso ser meu primeiro contato. Começo a ter um vislumbre do porquê desse autor ser tão aclamado. Alcanço nesse momento sua juventude. Paro. Tiro uma boa foto do livro e alimento Lua e Rimbaud. Ah, adotei outro gato e botei o nome daquele poeta francês. Precisa ver como é amoroso e confiante, quase sempre se deita e expõe sua barriga ao carinho. Ronrona motor a diesel. 

Sobre o livro já fiz dois terços da resenha. Quando for postar no insta tenho a ideia de intercalar 3 artes mostrando a passagem do tempo para Nikolai, que é o personagem principal. Penso no prompt para o Copilot... Voltei a jogar Legends of Runeterra pra matar o tempo e treinar raciocínio, ao menos é o que repito para mim mesmo, mas sei que se trata de um vício. Fui matar saudades de uns blogs que eu gosto, amizades distantes...

Andei pondo no repeat a Fixação do Kid Abelha. Tem aquele clima dançante oitentista que tanto me agrada, como a The Beach do  New Order ou qualquer coisa do Gang of Four. Tenho escrito menos e lido mais, ano que vem faço 39, dia 10 foi aniversário da Clarice Lispector, fiz esse post (link) de comemoração. Colori umas fotos dela, ficaram bacanas. Tenho usado a palavra bacana demais ultimamente. 
 
Rimbaud

domingo, 7 de dezembro de 2025

O verão, odioso verão

Qual é a desse povo que gosta do calor? Ridículos! São loucos ou o quê? Domingou quente no Condado. Já viu a nova box do Senhor dos Anéis ilustrada por Alan Lee? Coisa linda, linda demais. Estou dividido entre ela e os Contos Completos de Tolstói, aquele da Companhia das Letras. Meu amigo(a), você que volta sempre aqui, saiba que ser pobre é um puta saco. Nem o Diabo sabe como me irrita esse meu estado paupérrimo, ando contando moedas, assim, para não fugir do estigma de poeta fodido. 

Tenho sorte, uma casa, um lar. Mais do que alguns bastiões da literatura que tanto idolatro. Serei grato pela sorte? Sorte qual nada!! Me lasquei firme por anos para chegar até aqui. Acho que gripei... Sinto dores pelo corpo e pela nuca uma pontada estranha do lado esquerdo. A Princesa me diz que pode ser pressão alta. Não sei. Ganhei uns quilos esse ano, isso conta? Ai, saudade de ler Clarice... Talvez devesse continuar a coleção dela, a da editora Rocco. Preciso escolher bem, oh, santa ansiedade! 

Estou empacado no leste europeu, sinto tenta similaridade com a Rússia, em especial com a sua religiosidade. Lembro da minha infância. Já li a Infância de Tolstói, agora passeio pela sua Adolescência. Outro dia disse à Princesa que Tolstói tem um tom meio Machado de Assis, ela me respondeu: "o contrário, né?" eu disse: "é, é sim..." Não me estendi por preguiça. É esse calor dos infernos! Dá vontade de fazer nada ao quadrado. Bem, melhor voltar a ler. Despeço-me com carinho, até a próxima e beijo. 

sábado, 29 de novembro de 2025

A última ida à clínica do ano

 

Estou aqui. Devo informar que aumentei por conta própria uma das medicações? Essa semana tá um doce. A Black Friday da Amazon foi muito bacana. Chegaram: A Senhoria, A Morte de Ivan Ilich, Noites Brancas, Infância, Adolescência e Juventude. A Princesa C. catou um Método Para Teclado e O Diário de Anne Frank. Faltam 10 min para minha vez. Como sempre a viagem até aqui me quebra. Certeza que vou entrar em standby

Ao meu lado duas camaradas minhas defendem suas teses sobre a Bíblia e a volta de Jesus, que é o médico dos médicos. Eu, fosse Jesus, não voltaria, nem pra receitar clonazepam. Uma delas é muito eloquente, a outra somente concorda no fim dos parágrafos: "sim", "é isso", "amém". Desde criança tento correlacionar a religião evangélica com os distúrbios psiquiátricos. Papai fora internado 4 vezes e era crentíssimo. 

Será que levei uma bronca? Aparentemente não posso aumentar a dose de nada por conta própria, credita? Fiquei meio paranoico com o site do Museu de Arte Multimídia da Rússia (link). Tomei a liberdade de baixar umas fotos em preto e branco do Tolstói, colori uma por uma em ordem cronológica. Veja: (link). Estou com uma série de 11 sonetos chamados Handroanthus, talvez termine antes de Jesus Cristo voltar. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Amarelo




Abre-se o chão em dentes enferrujados. Mordidas eternas – meu corpo dilacerado tomba. Rezo. Minha servidão me concede um pertencer. Fluxo negativo. Meus órgãos expostos – arte vermelha! Eu, que nunca fui pouco tolo, dou com a cara no espelho e violentamente quebro minha imagem...

Lô morreu, Jards também, êta mês bom de acabar! E né que terminei Gógol e fui direto para Mary Shelley? Já viu o Frankenstein da Netflix? Del Toro se superou nessa. Muito maneirim. Acho que eu só precisava de um pretexto para ler outro clássico, né? O livro começa epistolar, achei charmoso...

Pretendo dar seguimento a essa coleção da Zahar, achei lindo demais a diagramação, a fonte, o papel, tudo um conforto só. Legal também a capa amarela que alude à cor da criatura que, pasme, não é verde. No mais, tô relendo Da Costa e Silva, aquele simbolista do Piauí. Só o diabo entende dessa nostalgia.


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Teatro completo




Começa outra semana, já, já é Natal. Época boa. Por aqui volta a nostalgia, o cheiro de livro novo: o presente mais que perfeito. Gostaria de compartilhar minha wishlist da Amazon com meus familiares. Mas lembro que há mais de 20 anos não passo o Natal com meus familiares. Arre, bichin do mato! Este caipira gosta de ficar na sua choupana! Fuma seu pito do pango, fuma! A vida fica mais leve ou só estou alto mesmo?

Meu Amor divide a wishlist da vida comigo. Estou à espera do meu primeiro Tolstói. Decidi ler em ordem cronológica também. Acho que fui influenciado pela Tatiana Feltrin, aquela booktuber famosa. Sobre ela tive o desprazer de saber da sua posição política ligada à direita, e até um flerte com a extrema direita, confirmado pela sua resenha de um livro do Olavo de Carvalho, esse que faz uns anos que não abre a porra da boca, amém.

Pessoas não são fórmulas matemáticas, obviamente. Tatiana não tem culpa de ser de direita, essa posição condiz com sua posição social, tão ligada aos prazeres da vida burguesa, Tatiana tem seus motivos, tivesse crescido em favela talvez teria outros. Fora acolhida pela direita, foi o que ela disse... Agora aguardo a consulta da minha irmã. Os ipês de Botafogo estão todos verdes, ainda bonitos, ainda bonitos...
 
Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei, não sou perfeito
Eu não esqueço

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Doppelgänger blues



 
Nunca quis ser outro. Estava satisfeito e completamente ciente de que estava vivo. É provável que existisse qualquer reclamação pelo trânsito, o rumo da esquerda. Totalmente aceitável que também se desagradava de um ou outro livro. Mas ser outro? Não definitivamente.

Nunca foi o mesmo. Está em constante estado de aluno e por raros instantes é possuído de luz e transborda, veja que o faz conscientemente. Vez em quando tromba em si. Olha-se ao avesso envaidecido. Oferece um trago. Já não se sabe qual é qual. Escrevem o mesmo livro e assinam o mesmo nome.

Nesse papo a dois nos pegamos pensando. Que será que se passa na cabeça de uma Musa? Você nos entende? Você mesmo que nos lê! Deve ser uma barra ser descrita por um poeta, não esses aí que não sofrem, mas um autêntico dramático, doente, apaixonado, neurótico e bom cozinheiro.