Eis o novo ano. Há certo tempo tenho provado um pouco de solidão. Não que bem antes eu não a conhecesse. De certa maneira a solidão me fez companhia durante a infância e adolescência, e eu estava bem com ela, cercado de amigos mortos e seus legados, seus livros. Acontece que tenho mergulhado nesse oceano com mais frequência. E não como antes, me incomoda o fato de estar só, só no sentido pleno, mesmo acompanhado.
Não creio em alma gêmea. Você pode vociferar: "Que porra de poeta é esse que não crê em alma gêmea?". Não te culpo. Esta porra de poeta não deseja que a realidade invada o reino da fantasia, nem o contrário. É que não somos mais os mesmos. Nossas prioridades nos direcionam. Nossas paixões nos segregam. E tenho me apaixonado tanto como tenho pensado em morrer.
Não, a paixão não contradiz o desejo do fim. Muitas vezes ela é a raiz desse desejo. É claro que estou pra baixo agora, situação comum em época de transição. Tenho tomado minha medicação. Quebrei o juramento de não mais beber álcool para confraternizar com meu sogro. Foram 3 anos sem beber. Mas tanto faz, quem foi embora não vai voltar e quem ficou que se acostume. Mas que bom que tenho meus amigos mortos. Que bom, né?
Vou seguir os conselhos de amigos
E garanto que não beberei nunca mais
E com o tempo esta imensa saudade
Que sinto se esvai
E garanto que não beberei nunca mais
E com o tempo esta imensa saudade
Que sinto se esvai

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